Mães no Canadá: Os Desafios de Ser Mãe No Canadá

A escolha de morar longe da terra natal foi sem dúvida baseada em muitas coisas boas, ou ao menos a idealização dessas coisas boas (porque n...

A escolha de morar longe da terra natal foi sem dúvida baseada em muitas coisas boas, ou ao menos a idealização dessas coisas boas (porque nem tudo é perfeito né?!). Porém ser mãe longe da terrinha traz um tantinho a mais de desafios e esse é o tema do mês do Projeto Mães no Canadá: Os Desafios de Ser Mãe no Canadá. 


A lista pode ser pequena ou longa se a gente for atrás de cada desafio da maternidade, mas peraí ser mãe não é desafio de todo jeito? Então escolhi a versão curta porém certeira aqui na minha realidade.

Pra mim sem dúvida um grande desafio, e que aconteceu essa semana, é estar doente e o seu filho doente ao mesmo tempo. Já é difícil quando nossos pequenos estão doentes e a gente aqui gostaria daquele pediatra "que foi o meu já perto de se aposentar mas que é um amor" bem disponível e não tem. Não tem mesmo, as consultas com o pediatra de Oliver dura 5 minutos no máximo e muitas vezes sai de lá com indicação de repouso e líquidos, e se piorar vai para a emergência (dureza, viu?!) Poxa mas quer ver a coisa ficar ainda mais difícil? vai adoecer ao mesmo tempo que o pimpolho. Não ter a rede de apoio da família nesses dias, principalmente a minha mãe porque todo doente quer colo de mãe é muito complicado. Para mim que sou mãe solteira de pai presente (não vejo outra forma de colocar meu estado civil/maternal, já que sinto que mãe solteira conota uma realidade que não é a minha) tenho que contar com o apoio e logística do pai para cuidar do pequeno mesmo sendo um dia que era meu. Ahh se toda doença passasse em um dia mas não passa assim tão fácil... a verdade é que o dia que mãe e filho não estão bem, a mãe até acha forças não sei de onde (sim, eu achei!) mas que não é fácil não é não e taí o meu desafio número 1 de ser mãe no Canadá: doença da mamãe e do filho, ao mesmo tempo.

Outro fator desafiador é manter a carreira no mesmo ritmo. Temos aqui no Canadá um grande benefício de licença maternidade de 12 meses (em breve com opção de 18 meses como escrevi aqui e aqui na série de posts sobre o Lado Financeiro de ter Filhos no Canadá) porém é muito difícil mesmo voltando no mesmo cargo manter a rotina de trabalho acelerada dando aquele gás todo dia quando se tem uma rotina cronometrada para buscar a criança na creche/escola e muitas vezes se atrasar  - porque parece que criança pequena sabe que está na hora de sair e decide que precisa fazer cocô ou de alguma forma sujar toda a roupa (a própria ou a da mãe).

Eu pessoalmente posso dizer que não apenas eu voltei com um ritmo mais lento porque meu cérebro não é mais o mesmo (o tal baby brain modifica tudo) mas também que minhas horas de trabalho foram reduzidas por eu priorizar meu filho agora. E isso não está errado não, não faz de mim uma profissional que não se dedica a entregar projetos e cumprir prazos, eu continuo fazendo isso bem. Mas que eu preciso estar numa empresa que me de opção de horário flexível, por exemplo nos dias que tenho Oliver eu trabalho menos horas mas os dias que não estou com ele eu compenso, ou se não conseguir eu sei que posso levar o laptop pra casa e trabalhar um pouco mais depois dele dormir.
E aí eu posso abrir um parênteses para falar sobre esse ponto super positivo de ser mãe aqui no Canadá: muitas empresas entendem essa realidade de horário rígidos de creche e escola e oferecem horários flexíveis de trabalho, o tal work/life balance. Eu não desisti de crescer na carreira nem a estanquei, houve sim uma quebra no ritmo que existia que poderia, talvez, quem sabe, ter me levado a uma promoção mais rápida, mas se eu tenho que escolher entre a delicia que é ser mãe e ser promovida, pode ter a certeza que eu prefiro ser mãe.

Não deixem de ler ou ver no YouTube o que as outras mamães tem para falar sobre esse assunto:
Adri em Ottawa do blog Like a New Home .
Carol em Vancouver do Fala Maluca
Gaby em Toronto do Gaby No Canada Blog. 
Livi em Toronto do Blog Baianos no Polo Norte
Mari em Calgary do Blog De Bem com a Vida

Até a próxima!


A sala de brincar (de graça) da Ikea - Småland playground

Eu amo a Ikea, para quem não conhece a Ikea é o paraíso dos moveis baratos, bonitos e funcionais. Quase todos os meus moveis são da Ikea, na...

Eu amo a Ikea, para quem não conhece a Ikea é o paraíso dos moveis baratos, bonitos e funcionais. Quase todos os meus moveis são da Ikea, naquele esquema que voce compra, leva pra casa tudo desmontado e em casa se vira para montar. A verdade é que vem bem explicadinho, com todas as pecas que voce precisa e também algumas ferramentas mais especificas que voce pode precisar. 

Além de ter um showroom que é um show, um restaurante de comida bem gostosas (sou fã do salmão com veggies), a Ikea tem também um playground (sala de brincar) gratuito, chamado Småland que funciona de domingo a domingo - antes de ir veja os horários no site

É um espaço bem legal, fechado com portão para as crianças não fugirem nem estranhos entrarem em contato com as crianças. Tem piscina de bolinha, mesinha para colorir ou desenhar, mesa de trem e carrinhos, brinquedos variados, area para correr, pular e subir escada. Tudo aquilo que as crianças adoram. Crianças maiores podem entrar e assistir filmes mas não podem brincar na piscina de bolinha. 

Eu levei Oliver num dia de semana depois do trabalho (umas 5:30 da tarde) não estava muito cheio e tinha 2 funcionarias supervisionando as crianças. A criança pode ficar por uma hora (em dias cheios eles podem reduzir para 45min) enquanto voce faz suas compras. A altura minima é de 94cm, exatamente a altura de Oliver agora (quase 3 anos) e a criança tem que saber usar o banheiro sozinha e não precisar usar fralda. O uso de meias é mandatório e o sapato e jaquetas ficaram numa cestinha so com as coisas da sua criança (eu aproveitei e deixei minha jaqueta de inverno também para não ter que ficar carregando). 

O pai/mãe/guardião tem que ler as regras e assinar um termo de responsabilidade. Depois de assinar o formulário, que inclui o numero do celular para elas ligarem se for preciso, eu também recebi um pager desses que vibram e piscam quando ativados - isso porque o celular pode ficar fora de area ou acabar a bateria caso eles precisem que voce volte para ver seu filho.  As crianças tem que vestir uma "veste" com um número, o mesmo do formulário e que ajuda as funcionárias identificarem as crianças na hora de chama-las para ir embora. 


Oliver ficou meio receoso na hora de entrar mas eu não precisei entrar com ele já que uma das funcionárias, bem simpática o pegou pela mão e o levou para brincar. Eu me escondi por uns minutos e vi que ele logo logo se soltou e foi brincar com os trens - ela me disse que ele so brincou com os trens todo o tempo. Apesar das funcionarias serem supervisoras e não terem como obrigação brincar com as crianças, eu vi as duas funcionarias brincando com as crianças menores, o que achei ótimo. 
Oliver #12
Quando eu voltei para busca-lo, 30 minutos depois, ele estava se divertindo tanto que não quis ir embora. Ficou bem chateado para sair mas com a promessa minha de voltas outro dia, ele saiu contente. 

Sem duvida vou levá-lo de novo agora que ele atingiu a altura mínima e sei que ele se divertiu por lá - afinal eu de vez em quando procuro uma desculpa para passear e paquerar o showroom da Ikea. 

Até a próxima! 

Projeto 6 on 6 no Canada: Arte Urbana

Quando li o tema do Projeto 6 on 6 desse mês eu quase entrei em pânico porque Mississauga não é uma cidade digamos assim... artística :P...


Quando li o tema do Projeto 6 on 6 desse mês eu quase entrei em pânico porque Mississauga não é uma cidade digamos assim... artística :P  Mas parei para pensar e pesquisar arte urbana por aqui e descobri que apesar de não ter muita arte “popular” como murais, grafites gigantes em paredes por exemplo, a arte nas ruas por aqui simbolizam bem Mississauga: uma cidade mais tradicional comparada a sua vizinha Toronto.


#1 Buen Amigo (nome oficial), ou Bom Amigo (2009): esse é o nome dessa linda e grande escultura de um cavalo que fica na frente do prédio mais famoso da cidade (que já até ganhou prêmio de arquitetura) bem numa das avenidas principais de Mississauga, a Hurontario. Essa escultura foi a primeira arte privada e encomendada pela empreiteira dos famosos prédios e “doadas” para a cidade. São na verdade 2 cavalos, a foto so mostra um deles, e de acordo com o artista representa o passado de fazendas da cidade de Mississauga, o presente e o futuro representado pela arquitetura moderna dos prédios.


#2 Contemplating child, ou Criança Contemplando: bem na frente da prefeitura de Mississauga fica essa escultura de aço instalada em 2014. Ela representa uma criança sentada descansando e nos fazendo lembrar a criança dentro de cada um de nós (isso de acordo com o artista plástico, ta?)


#3 Migration, ou Migracao (2013): infelizmente a foto não faz jus a escultura nem a mensagem que ela representa. Os pássaros que voam nessa foto são os “passenger pigeons” que eram em bilhões mas foram considerados extintos em 1914 devido a pratica da caça e a perda do habitat natural. A escultura traz um pássaro vermelho que representa um alerta para que os homens encontrem um equilíbrio entre desenvolvimento urbano e proteção enquanto planejamos nosso próprio habitat para futuras gerações. Legal ne?


#4 Mural de grafite do restaurante mexicano El Jefe em Port Credit: esse é o único grafite que eu já vi aqui em Mississauga. O restaurante abriu há apenas 1 ano na avenida principal de Port Crerdit, bairro de Mississauga e eu ainda não o visitei por dentro, mas para mim que amo cores esse grafite já me conquistou.


#5 Estátuas religiosas: uma das coisas que me ajuda a identificar se uma igreja é católica, é ter uma estátua na frente. A minha experiência no Brasil era que igrejas católicas são grandes prédios com uma cruz e sino, enquanto as outras igrejas cristãs não católicas: evangélicas, batistas, e outras, eram prédios menores, sem parecer por fora como as igrejas católicas. Aqui é diferente, existem muitas igrejas grandes, prédios históricos, mas que não são católicas, totalmente quebrando meu paradigma de que só igreja católica tem arquitetura “grandiosa” e cruz grande em destaque no telhado. Mas notei que a grande maioria das igrejas católicas em Mississauga tem uma estátua na frente, e agora eu consigo facilmente distinguir se ela é ou não católica (para que ainda não sabe, sou católica e frequento a igreja semanalmente). Não significa que as estatuas são bonitas, mas elas estão espalhadas pela cidade.


#6 Essa foto eu admito que foi uma teima da minha parte em colocar aqui, massssssss a verdade é que por toda a cidade se vê estatuas das mais variadas na frente das casas. Vai de duende(s), deuses gregos/romanos, sapos, cachorros, enfim uma variedade grande e que acabam sendo bem representativas da personalidade de quem mora na casa e por consequência “decorando” a cidade. Eu escolhi o cachorro dessa casa porque foi o que mais me identifiquei, porem mesmo assim eu não sou adepta ou admiradora desse tipo de arte na frente das casas. Já que o proposito é mostrar para vocês o que tem aqui em Mississauga eu não poderia negar o espaço para as estatuas “de jardim”.

Essas foram as minhas 6 fotos e não esqueçam de ver o que as meninas do 6 on 6 postaram hoje sobre arte urbana: 


Adri [Like a New Home] em Ottawa- ON 
Gaby [Gaby no Canada] em Toronto - ON 
Juliana [Edmonton Feelings] em Edmonton - AB 
Mariana [De Bem Com a Vida] em Calgary - AB 
Priscila [Embarque com a Pri] em Vitoria - BC 

Levei uma multa e fui recorrer diante do juiz...

Coisa chata é levar multa. Pagar um dinheiro que voce não estava planejando gastar. Perder pontos na carteira. Provavelmente pagar mais caro...

Coisa chata é levar multa. Pagar um dinheiro que voce não estava planejando gastar. Perder pontos na carteira. Provavelmente pagar mais caro no seguro do carro por causa disso (aqui no Canadá tem disso de aumentar o valor por causa de multas também) Bahhh

Sim sim, eu estava distraída e sou mesmo culpada da minha multa. Eu passei num sinal (ou farol) vermelho, coisa que acho que nunca tinha feito aqui no Canadá - sim porque no Brasil eu não ficava num sinal vermelho nem a pau depois de escurecer, claro que cuidando para não ter acidente. Enfim, recebi a multa com a foto do meu carro e a multa era bem salgada, $345 dolares!

Na carta ja vem um envelope com selo pago e um formulário simples avisando que voce quer recorrer da multa. Apesar de ter a foto do meu carro, e esse fato em si ja tornar a multa quase que impossível de recorrer, mas não me custava tentar.

Poucos dias depois de ter enviado o formulário de volta, eu recebi outra carta com data, hora e endereço para comparecer perante um juiz. Na data e hora marcada compareci a courthouse de Mississauga sem ter a menor ideia do que aconteceria ou como seria o procedimento.

Meu “julgamento” foi numa sala chamada MER - Early Resolution, ou resolução rápida numa tradução minha. Pontualmente uma mulher vem e abre a porta chamando todo mundo do meu horário para entrar e fazer fila la dentro. Acredito que comigo tinha unas 30 pessoas e um por um nós cavamos nosso nome para ela. Em alguns casos ela tinha uma conversa rápida com a pessoa, as vezes resolvia ali mesmo e a pessoa ia embora, mas a maioria ela so mandava sentar. Sim, toda conversa era na frente de todo mundo mas nada muito pessoal ou discussão, apenas falando sobre fatos ou a multa em si.



Depois de todos terem se registrado, ela se apresenta como prosecutor, ou promotora e que todos que ficaram na sala era por causa de multa relacionada com passar no sinal vermelho. Dai ela explica um bocado de regras, fala sobre a multa e do papel dela naquela “resolução”,  que em breve a juíza entrara na sala e que todos que ali se declararem culpados ela oferecerá acordo de $200 ao invés de $345. Sim, desconto para todo mundo sem muito esforço da nossa parte.

Ela explicou também que a multa de sinal vermelho não tira pontos da carteira pois está associado ao carro e não ao motorista, porem se voce se declarar culpado da infração esta estará no seu histórico (ai que entra a parte que o seu seguro saberá da infração e poderá aumentar seu prêmio). A outra opção é se declarar inocente e pedir para ter um novo recurso, uma especie de 2a instancia com outro juiz.

Assim que ela termina de explicar tudo, não mais do que 10 minutos no total, a juíza chega, todos se levantam, se sentam e um por um são chamados para ir na frente no microfone dizer seu nome completo. A promotora lê a sua multa em voz alta, a juíza repete (coisa bem automática e rápida mesmo, pura burocracia) e ai a juíza pergunta “como voce se declara?”.

Ainda esperando as outras pessoas se registrarem com a promotora
 Nessa hora voce se diz culpado, se quiser aceitar o acordo da promotora, e a juíza pergunta se a promotoria tem algum acordo para oferecer. A promotora responde que sim, oferece $200 pela multa. A juíza pergunta se voce precisa de prazo para pagar, seja 30, 60 ou 90 dias. E você recebe um papel azul que informa o novo valor e o prazo para pagar. 


O pagamento pode ser feito ali mesmo nos caixas da courthouse ou a partir do dia seguinte pela internet. Os pagamentos que tem extensão de prazo podem ser feitos em parcelas, mas atenção: eles não vão lhe mandar boleto bancário, voce é responsável de fazer os pagamentos apenas tendo aquele papel azul. O não pagamento da multa significa que eles cancelarão a sua carteira de motorista sem aviso. De acordo com a promotora nenhuma outra carta sera enviada sobre essa multa.

Apenas uma pessoa do meu grupo se declarou inocente e pediu para recorrer. A juíza então deu um outro papel e disse que esperasse uma carta em casa com nova data para comparecer. Outra pessoa pediu para ter uma redução ainda maior, a juíza foi bem bruta e passou sermão que a infração foi muito grave e que ela poderia inclusive negar o acordo que a promotoria estava oferecendo pois estava obvio pela velocidade do carro (que fica registrada na foto) que a pessoa estava também indo acima da velocidade permitida. Ou seja, era melhor ter ficado calado.

A juíza não dava espaço ou mesmo queria ouvir sua historia ou porque voce quiz recorrer da multa, era preto no branco, se declara culpado ou inocente e pronto. Enfim, cada interação com a juíza por pessoa não durava mais do que 2 ou 3 minutos, eu por ter um sobrenome com uma das ultimas letras do alfabeto fui a ultima a ser chamada e pude ver que não seria uma boa pedir para reduzir o valor mas que pedir prazo era okay, então foi isso que fiz. Me declarei culpada, e pedi 6 meses para pagar e a juíza concedeu.

Não estou aqui querendo dizer para não respeitar as leis de transito, muito pelo contrario, elas são importantes e devem sim ser seguidas. Apenas relatando minha experiencia numa corte perante um juiz, pois me senti bem insegura e nervosa por não saber o que esperar - na verdade eu achava que seria uma mediação, sentada numa salinha pequena com privacidade e oportunidade de dar sua “versão” do ocorrido, bem diferente do que de fato aconteceu na minha experiência. Talvez em outros tipos de multa seja diferente, ja que a foto do carro não deixa muito espaço para argumentos.

Agora estou mas pobre por minha própria distração de ter passado no sinal vermelho, o que me serviu de lição, mas que espero que sirva também para vocês saberem o que esperar caso queiram recorrer de uma multa.


Até a próxima! E dirijam com segurança!